quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Produção textual narrativa

A grande escolha
-Você seria capaz de fazer qualquer coisa, mesmo que lhe custasse algo?

Tudo começou quando Melissa Hansler tinha 6 anos de idade, sua aparência era infantil de uma criança meiga e alegre, mas ao mesmo tempo tímida e discreta, tinha um sorriso travesso próprio de uma criança, a menina tinha cabelos longos e claros, os olhos? Eram misteriosos, grandes e escuros e através deles poderíamos ver o que ela realmente sentia e o quanto ela era solitária e triste.
    Como em um dia qualquer, ao chegar a hora do intervalo da escola onde Melissa estudava, ela sempre ia para o mesmo lugar, era um lugar meio fechado onde ninguém ia, ela gostava de ficar sozinha até porque ela era anti-social. Ela sofria bullying, ninguém gostava dela, os meninos dessa mesma escola roubavam o dinheiro, riam e debochavam dela, eles eram os mais cruéis com a pobre menina.
Mas numa terça-feira foi diferente, logo quando os meninos foram pegar o dinheiro de Melissa, uma menina chamada Hanna apareceu de repente com o rosto sério, sim, ela estava muito brava, o que era muito estranho, pois Hanna era a aluna mais querida da escola, mas mesmo assim defendeu Melissa e expulsou os meninos e disse a eles:
-A próxima vez que mexerem com ela eu quebro a cara de vocês, vocês entenderam ? ou  eu vou chamar a diretora para resolver este problema !
Melissa nunca tinha visto alguém tão corajosa, Hanna nem era sua amiga, nem sabia quem era Melissa.
Começaram então a conversar e a partir daí, Hanna ficava com Melissa em todos os intervalos, viraram melhores amigas, amigas inseparáveis, adoravam ouvir músicas juntas e etc...
    Passaram-se 10 anos e as meninas ainda eram amigas ou melhor 'melhores amigas' Hanna passou a chamar Melissa de Isa, elas já estavam no ensino médio, adoravam sair para dançar, beber e etc.. Mas Melissa tinha um segredo no qual nunca teve coragem de contar para sua amiga, ela tinha uma doença rara e poderia morrer a qualquer momento.
    Aos 16 anos Melissa começou a ficar estranha, olhou-se no espelho e começou a cortar os seus cabelos bem curtos, dizendo :
- eu vou mudar, vou aproveitar esse tempo que ainda estou viva, vou fazer algumas mudanças, começando por mim mesma, não vou ser mais essa boba, as coisas vão mudar.
Às vezes sua amiga tentava fazer com que Isa se sentisse um pouco feliz mas nem sempre conseguia, vivendo assim em dias bons e ruins Hanna achou que sua amiga precisava de um namorado , ela até tinha um amigo e ele se chamava Robert,ele era lindo por sinal, tinha olhos pretos era alto, moreno e cabelos arrepiados, o sonho de todas as meninas.
Hanna achou que sua amiga precisava de um sentimento diferente, que todos comentavam, alguns nunca sentiram outros sentem até de mais , e aquele sentimento forte as vezes faz bem ou não, chama-se amor.
   Melissa nunca sentiu isso, porque tinha trauma de meninos, ela tinha nojo,  achava eles uns idiotas e acha que não precisava disso, achava que era desnecessário.
- Hahaha" Namorado? você só pode estar brincando? eu nunca vou namorar, você esta louca, até parece que não me conhece,eu não preciso disso !! ( disse Isa , ironicamente).
- Sim amiga, um namorado, eu sei que é estranho, mas acho que seria uma experiência incrível pra você.
- Será?
- Eu tenho certeza, na verdade eu até tenho um amigo para te apresentar, ele é simpático,lindo e legal, tenho certeza que você vai gostar dele.
Isa não se importou com o que Hanna estava falando.
- Não sei não, acho que não estou preparada para isso.
- Ah ! para , não custa nada , já que vamos em uma festa no sábado a noite, podíamos convidá-lo, vai ser bem legal.
- Ok , tudo bem ! já que insiste,por mim tanto faz !
- Aaah que bom !! tenho certeza que você vai gostar dele, estou animada pra se conhecerem .
Chegou o tão esperado sábado, e elas já estavam escolhendo suas roupas para irem a tal festa, era uma "social" na casa de um dos amigos de Hanna, e lá Melissa conheceu Robert, começaram a dançar, ele até que gostou de Isa, mas ela estava se fazendo de difícil ,ele então pediu o numero dela, para que pudessem se conhecer melhor, no começo ela não quis , ficava trocando de assunto toda hora,mas após ele ter conversado bastante com ela, ela percebeu que ele era diferente dos outros garotos, passou então aquela longa noite e no final ela resolveu dar o numero pra ele.
Passou semanas e os dois já estavam bem íntimos, trocando sms nas madrugadas, a menina gostou muito dele, decidiu ficar com ele, ficou uma, duas, três vezes e logo perceberam que praticamente estavam namorando.
    *************
Ao passar o tempo sua doença começou a ficar mais grave nasceu manchas em sua pele e a menina começou a emagrecer demais e seus cabelos começaram a cair , decidiu então contar para sua melhor amiga,Hanna.
- Hanna, preciso te contar algo.
- O que houve Isa?
- Já faz algum tempo, mas nunca tive coragem de contar pra você, apenas minha mãe sabe. Bom eu tenho uma doença rara e ela é terminal, eu posso morrer a qualquer momento.
- Mas como assim? porque você não me disse antes?
- Eu não tive coragem !
- Eu não sei o que fazer! e agora?
- Não faça nada, só queria que você ficasse ciente disso.
- Eu não quero perder você passamos tantos momentos juntas, eu não posso te perder, você é minha melhor amiga, são 10 anos de amizade, não posso simplesmente fingir que isso não foi nada.
- Desculpa!
Então Hanna abraçou Isa dizendo que nunca o abandonaria, naquela tarde elas decidiram que iam aproveitar os seus últimos momentos juntas.
Melissa estava completamente apaixonada por Robert , ela nunca tinha sentido isso , era amor de verdade , e ele também era apaixonado por ela, eles eram tão fofos e meigos, ele era o único que entendia ela, mesmo sabendo de todos os problemas que ela tinha, ele queria estar do lado dela, queria acariciar e demonstrar todo o amor que ele sentia por ela.
    Sim, Melissa ficou outra pessoa depois que conheceu Robert, Hanna realmente estava certa, agora ela era mais feliz.
Isa também que com sua morte sua amiga iria ficar muito sozinha e desamparada ,e comentou com Robert sobre sua preocupação,ele decidiu então apresentar seu melhor amigo para Hanna, mas sem contar o seu plano para ela.
Após algum tempo seu plano deu certo e Hanna começou a falar de Jack para Isa e ela como uma boa amiga e com algum divertimento apoiou a menina no seu novo amor .
Passaram algum tempo e veio o grande comunicado que os dois estavam namorando, Isa ficou muito feliz. Nas semanas que se passaram eles saiam juntos, iam ao cinema, parques, iam a shows e gostavam de fazer atividades radicais.
Mas foi numa sexta-feira em que eles foram em um show de uma banda de rock (Pink Floyd) e beberam muito até ficarem tontos,quando foram embora as 4:30hr,Robert que estava com o carro do pai levou eles para casa,mas ao se distrair com Jack que estava vomitando no banco de trás, virou e disse:
- Cara ! o carro do meu pai esta limpo, ele vai me matar se ver isso aí !!
E esse foi seu erro ,ao se virar ele tirou as mãos do volante e em uma fração de segundos eles  sofreram um grande acidente. O carro com os quatro adolescentes saiu da pista e caíram da ponte norte direto no rio onde as correntezas eram fortes.
    A sorte dos adolescentes foi que um guarda florestal estava fazendo sua ronda naquele momento e avistou-os e rapidamente chamou ajuda. Ao resgatá-los viram  todos eles estavam gravemente feridos, mas Melissa era a quem estava mais machucada,seu estado era grave.
Seu namorado e seus amigos ficaram 2 meses no hospital , mas Isa teve que ficar mais tempo.Em uma visita de seus amigos e seu namorado o médico veio lhe comunicar  que ela ficaria tetraplégica,logo que recebeu a noticia a menina ficou chocada e começou a se desesperar.
-O que ? não pode ser, eu já tenho uma doença terminal e ainda acontece isso-Isa começou a chorar e seus amigos começaram a consolar ela.
**********
A menina teve que fazer uma cirurgia de risco e depois de se recuperar, todos foram visitá-la.No dia do seu aniversário, Robert fez uma surpresa levando-a para o pátio do hospital para que pudessem fazer um piquenique .
Naquela noite ao ficarem sozinhos no quarto, Isa faz um pedido a Robert
-       Se eu fizesse um pedido, você faria ? mesmo que lhe custasse algo ?
-       Do que você esta falando ? Isso esta muito estranho !
-       Estive pensando e acho que não vale a pena continuar vivendo assim, eu vou morrer mesmo, pra que continuar me torturando e a vocês estando assim?- falou ela olhando para os seus braços e pernas imóveis na cadeira de rodas.
-       Não pense assim, você tem a mim e a Hanna que estaremos sempre ao seu lado ,não esqueça disso- Então Robert levantou-se de onde estava e foi até Isa lhe dar um abraço – o que quer de mim? 
-       Quero que acabe com o meu sofrimento, que ponha fim em tudo isso –Ao se virar para Robert, viu que ele não estava entendendo com clareza –quero que me mate que acabe com isso, apenas desligue os aparelhos, faça isso por mim !
Passaram muito tempo falando sobre isso e ele decidiu fazer isso por ela mas com uma condição:
-       Quero que você escreva uma carta para Hanna explicando a sua decisão.
Isa concorda com a condição e decidem que os aparelhos seriam desligados naquela madrugada.

Querida Hanna
Espero que você entenda os motivos pelo qual eu resolvi não querer prolongar mais a minha vida, essa decisão foi difícil mas minha vida já estava praticamente acabada,  eu estava invalida, pra que continuar torturando vocês, me vendo assim?
Você foi muito importante na minha vida, foi minha melhor amiga em todo esse tempo,espero que se lembre das coisas boas que vivemos, das encrencas, de tudo.

PS: eu te amo !

Autoras: Eduarda Garcia e Louise Victoria (Alunas do 1º ano do EM da turma 11I /Colégio Estadual Júlio de Castilhos)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Produção textual narrativa

Uma Longa Noite

Acredito que já se passava das sete horas da noite, porém o breu já reinava no local, acredito que não conseguiria ver mais que um palmo à minha frente, procurei desesperadamente minha lanterna que se encontrava em minha mochila e fui tateando até finalmente encontrá-la , a peguei em minhas mãos e apertei o botão que ligava. A lanterna não estava acendendo “deve ser a pilha”, pensei. Dei algumas palmadas na lanterna e tentei de novo até que finalmente ela acendeu e o alívio me percorreu, afinal, detesto o escuro, principalmente em se tratando das coisas que aconteceram no lugar em que me encontro.
Logo após focar a lanterna em um local, levei um susto já que vi marcas de sangue espalhadas por todo lugar incluindo alguns rastros de arranhões no chão, mas não pensei muito nelas, não possuía o luxo de ficar com medo agora, não depois daquela aposta que fiz, nem depois daquilo que me obrigaram a apostar. Uns idiotas me obrigaram a passar uma noite aqui, nem sei por que aceitei afinal, mas acho que permanecer na minha escola era mais importante, afinal um deles era filho do diretor e ele vivia mimando o filho.
Achei um lugar menos assustador da casa, com paredes cinzentas e uma cama relativamente inteira e o chão de parque em pedaços, porém não me importei e sentei-me no chão, peguei meu livro e comecei a ler. “Vai ser uma longa noite eu acho”, após acabar o livro já não tinha o que fazer, li sobre o que havia acontecido naquela casa. Aquele foi o lugar no qual um pai matou suas filhas e, por fim, se matou. Após ler aquilo fui dormir.
Acordei com um vulto e com várias batidas nas paredes, juntei minhas coisas na mochila e fui correndo para ver o que estava acontecendo e vi os mesmos idiotas que tinham me forçado a estar ali, todos estavam com tacos de baseball em suas mãos e com sua típica cara de mal encarados, eles me encaravam enquanto seguravam os tacos em suas mãos até que um falou:
-Você não deveria estar aqui, achei que não seria tão idiota de realmente cumprir com a sua palavra - disse o maior deles que é também o filho do diretor.
-Se tu realmente achas que eu teria medo de um lugar como esse, acho que me julgou errado – falei calmamente.
-Ele diz isso, mas está quase se borrando na nossa frente. Olha pra ele Fred -diz o moleque da esquerda.
-Pois é Fred, parece que esse aí só ladra, mas não vai fazer nada – disse o da direita com uma risada que não sei como não me deixou surdo de tão horrível.
-Bem, vamos ver se ele é tudo o que está falando rapazes?- disse Fred e logo em seguida partiu junto com seus “capangas” pra cima de mim.
“Não sou nem um pouco burro de querer sair na briga com três guris, ainda mais que eles estavam com tacos”, então, obviamente, sai correndo procurando pela casa algo para me defender deles. Até que eu cheguei à cozinha e achei uma cadeira, vi que eles estavam um pouco longe e permaneci esperando na porta até que finalmente o primeiro passou e eu dei uma cadeirada tão forte que ele caiu no chão e em seguida sai correndo até chegar à saída da casa e continuei assim até chegar na minha casa.


Autores: João Pedro Castro e Rodrigo Moraes Oleto (Alunos do 1º ano do EM da turma 11F/Colégio Estadual Júlio de Castilhos)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Produção textual narrativa

Lanche Mortal
No Colégio Júlio de Castilhos estudavam oito amigos. Gabriela que era a menor do grupo e tinha cabelos vermelhos, Gilberto que tinha lindos olhos e tocava violão, Gael que vivia chapado e matando as aulas, Augusto que era o nerd do grupo, Wesley que era novo na turma e amava futebol, Rodrigo que era diferente e engraçado, Helena que estava sempre sorrindo e era a mais nova e, por último, Jonas que tinha 1,90m e era o mais velho.
Os oito amigos tinham uma vida tranquila na escola até que Gael sumiu misteriosamente. Não era o primeiro aluno que sumia, e por coincidência eram todos alunos que matavam muita aula.
Na procura pelo amigo, eles acabaram achando um lugar escondido embaixo da quadra de esportes da escola onde um aluno era torturado horrivelmente. Todos ficaram apavorados e saíram correndo.
Depois de alguns dias Jonas, Augusto e Wesley resolveram voltar lá para ver o que descobriam. Chegando lá viram que não tinha ninguém na sala e entraram para investigar. Tinha muitos instrumentos de tortura, uma lista de frequência e uma enorme pilha de enroladinhos. Quando perceberam o que aquilo significava, se olharam com nojo. Eles matavam os alunos infrequentes para fazer a comida do bar da escola!
Agora que tudo foi descoberto restava saber quem estava por traz daquilo. Para isso, eles fizeram um plano onde Rodrigo serviria de isca para chegar até os culpados. Ele começaria a matar as aulas até que fosse pego pelos torturadores. Tudo ocorreu bem, Rodrigo foi pego e levado para a sala e os três garotos foram atrás dele para completar o plano.
Quando estavam quase chegando à sala, foram pegos por um grupo de homens mascarados e acordaram em outra sala onde o líder do esquema estava sentado de costas. O homem se virou e surpreendeu os meninos, pois era o professor de matemática deles, que aparentemente parecia não fazer mal a ninguém. Assumindo uma postura totalmente nova, o homem disse que eles pagariam por tentar estragar seus planos.
Helena, Gabriela e Gilberto, percebendo que os outros haviam sumido há muito tempo, tiveram que tomar coragem e ir em busca dos amigos. Eles foram até a sala embaixo da quadra, mas a única coisa que viram foi Rodrigo morto. O desespero foi grande, mas tiveram que engolir as lágrimas e seguir procurando.
Na sala Augusto foi levado para morrer e os outros dois assistiriam a tudo. Quando um dos homens mascarados começou a cortar o pescoço dele, Helena, Gabriela e Gilberto chegaram à sala. Eles combinaram que Gilberto daria uma pancada na cabeça do torturador enquanto as meninas soltariam os amigos que estavam presos.
Todos estavam livres e deram um fim no homem mascarado, mas Augusto não resistiu e morreu. Não houve tempo para se lamentar, pois logo outros homens chegaram e Helena e Gabriela correram para chamar a polícia enquanto os meninos cuidavam dos torturadores.
Depois de ligar para a polícia as meninas voltaram e encontraram todos os torturadores mortos, mas Wesley também estava no chão. Neste momento o professor de matemática entrou na sala com uma arma e atirou em Jonas, mas o tiro pegou de raspão. Gabriela pegou uma faca de um dos torturadores mortos e cravou nas costas do professor que deixou a arma cair na hora. Helena pegou a arma e atirou nele sem pensar duas vezes.
Os amigos se olharam e perceberam que agora finalmente tudo havia acabado, mas também puderam se dar conta de que agora não eram mais oito e sim quatro. A polícia chegou ao local e agora os meninos teriam muito para contar.
Dois meses depois, após superarem o grande trauma do que aconteceu, eles voltaram para a escola, receberam uma linda homenagem dos professores e alunos, um memorial foi feito com os nomes de todos os alunos mortos, com destaque para os que ajudaram a combater os torturadores. A rotina deles aos poucos ia voltando ao normal, mas a lembrança do terror que passaram nunca sairia de suas mentes.

Autores: Giovana, Gustavo, Hariná e Jonathan Nöthen (Alunos do 1º ano do EM da turma 11G/ Colégio Estadual Júlio de Castilhos)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Leitura, interpretação e debate

O texto a seguir será utilizado para interpretação escrita e debate na aula do dia 13 de outubro. Leia-o com atenção, anote dúvidas e questionamentos.

Sou um aspirador de pó
Se quiser me ofender, terá trabalho.
Não facilito a vida do agressor.
Ele vai suar frio, passar sufoco, esclarecer questões, explicar posicionamentos.
Não sairei de cena chorando logo que ganhar um desaforo. Não aceitarei o figurino de vítima. Não me farei de coitadinho. Não me trancarei no quarto. Não evitarei o convívio.
Sou muito escolado em bullying para acolher rapidamente desaforo. Só eu mesmo posso me ofender e me perdoar – mais ninguém.
É o que todos deveriam pensar antes de sofrer.
O debochado não tem repertório. Ele guarda uma ou duas tiradas engraçadas que podem ser rebatidas com a autocrítica e inteligência.
Não se veja derrotado no início do jogo, não se enxergue constrangido por antecedência.
No Ensino Fundamental, na abertura das aulas, Marquinhos, líder da bagunça e das baixarias, buscou me humilhar na frente dos colegas. Quando a professora abandonou a 
sala para repor o giz, aproveitou a ausência e se aproximou de minha mesa.
Ele me analisou, analisou e despejou o veredito:
– Você tem cara de “aspirador de pó”.
O novo apelido vinha do nariz avantajado. Era uma versão doméstica para tamanduá.
Pronto: a turma inteira gargalhava alto de mim. A investida sugeria uma desmoralização do nome e sobrenome dali por diante.
Mas engoli a vergonha como uma aspirina a seco. Respirei fundo. E, de modo inédito, diferente de todas as vezes que me tolhi e me escondi, que fechei meu rosto nos 
braços, decidi responder. Concordei com a observação.
– Sim, eu sou um aspirador de pó.
Ele não atinou o que desejava concordando, e completei:
– Sou mesmo um aspirador de pó, que bom que você descobriu. Vem trocar meu saco!
Ele se calou. A turma agora reagiu a meu favor, dobrou o volume das risadas. Foi uma histeria coletiva, cadernos voando, pés batendo no chão, palmas estalando.
É certo que ele não sabia o que retrucar. Comeu a língua. Patinou na palavra. Demorou a perceber o estrago. Ficou branco, pálido, lesma.
Não contava com uma reação bem-humorada. Uma resposta espirituosa. Quem agride não programa a tréplica. Planejava criar uma tristeza em mim e abandonar a vítima no chão.
Mas não deixaria por menos. Nunca mais.
Marquinhos desapareceu ao longo do tempo, como poeira ranzinza da classe. Não esperava que o aspirador de pó estivesse ligado.
Fabrício Carpinejar, Zero Hora, 30 de abril de 2013.


Boa leitura.

Produção textual - narração

  
Após trabalharmos os elementos que compõem um texto narrativo:
·         Organizem-se em grupos de até três componentes;
·         Fotografem um lugar que possa servir de espaço para uma narrativa;
·         Produzam uma narrativa a partir dessa foto;
·         Seu texto deverá ter todos os elementos de uma narrativa:
- Foco narrativo (1º e/ou 3º pessoa)
- Narrador (narrador-personagem e/ou narrador-observador)
- Personagens (protagonista, antagonista e coadjuvante)
- Tempo
- Espaço
·         O texto, juntamente com a foto, deverá ser entregue ou enviado para o meu email até o dia 17 de outubro;
·         As narrativas deverão ser apresentadas em aula, nos dias 21 e 23 de outubro;
·         Após as correções, as narrativas poderão ser postadas no blog.
·         As dúvidas quanto a este trabalho serão esclarecidas em aula ou através do blog.

Bom trabalho.