Uma
Longa Noite
Acredito que já se passava das sete horas da noite, porém
o breu já reinava no local, acredito que não conseguiria ver mais que um palmo à
minha frente, procurei desesperadamente minha lanterna que se encontrava em
minha mochila e fui tateando até finalmente encontrá-la , a peguei em minhas
mãos e apertei o botão que ligava. A lanterna não estava acendendo “deve ser a
pilha”, pensei. Dei algumas palmadas na lanterna e tentei de novo até que
finalmente ela acendeu e o alívio me percorreu, afinal, detesto o escuro,
principalmente em se tratando das coisas que aconteceram no lugar em que me
encontro.
Logo após focar a lanterna em um local, levei um susto já
que vi marcas de sangue espalhadas por todo lugar incluindo alguns rastros de
arranhões no chão, mas não pensei muito nelas, não possuía o luxo de ficar com
medo agora, não depois daquela aposta que fiz, nem depois daquilo que me
obrigaram a apostar. Uns idiotas me obrigaram a passar uma noite aqui, nem sei
por que aceitei afinal, mas acho que permanecer na minha escola era mais
importante, afinal um deles era filho do diretor e ele vivia mimando o filho.
Achei um lugar menos assustador da casa, com paredes
cinzentas e uma cama relativamente inteira e o chão de parque em pedaços, porém
não me importei e sentei-me no chão, peguei meu livro e comecei a ler. “Vai ser
uma longa noite eu acho”, após acabar o livro já não tinha o que fazer, li
sobre o que havia acontecido naquela casa. Aquele foi o lugar no qual um pai
matou suas filhas e, por fim, se matou. Após ler aquilo fui dormir.
Acordei com um vulto e com várias batidas nas paredes,
juntei minhas coisas na mochila e fui correndo para ver o que estava
acontecendo e vi os mesmos idiotas que tinham me forçado a estar ali, todos
estavam com tacos de baseball em suas mãos e com sua típica cara de mal
encarados, eles me encaravam enquanto seguravam os tacos em suas mãos até que
um falou:
-Você não deveria estar aqui, achei que não seria tão
idiota de realmente cumprir com a sua palavra - disse o maior deles que é
também o filho do diretor.
-Se tu realmente achas que eu teria medo de um lugar como
esse, acho que me julgou errado – falei calmamente.
-Ele diz isso, mas está quase se borrando na nossa frente.
Olha pra ele Fred -diz o moleque da esquerda.
-Pois é Fred, parece que esse aí só ladra, mas não vai
fazer nada – disse o da direita com uma risada que não sei como não me deixou
surdo de tão horrível.
-Bem, vamos ver se ele é tudo o que está falando
rapazes?- disse Fred e logo em seguida partiu junto com seus “capangas” pra
cima de mim.
“Não sou nem um pouco burro de querer sair na briga com
três guris, ainda mais que eles estavam com tacos”, então, obviamente, sai
correndo procurando pela casa algo para me defender deles. Até que eu cheguei à
cozinha e achei uma cadeira, vi que eles estavam um pouco longe e permaneci
esperando na porta até que finalmente o primeiro passou e eu dei uma cadeirada
tão forte que ele caiu no chão e em seguida sai correndo até chegar à saída da
casa e continuei assim até chegar na minha casa.
Autores: João Pedro Castro e Rodrigo Moraes Oleto (Alunos
do 1º ano do EM da turma 11F/Colégio Estadual Júlio de Castilhos)
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